Família Boaretto

Os sobrenomes - ou nomes de família - surgiram para identificação das pessoas do povo durante a baixa Idade Média. Anteriormente, só eram utilizados pelos reis e nobres. Para reproduzir os hábitos de personagens importantes, ou, simplesmente, para buscar diferenciação numa época de grande expansão demográfica, os homens mais comuns passaram a utilizar como sobrenomes as designações de seus ofícios ou habilidades, de seus lugares, de suas condições sócio-econômicas, de plantas ou animais, adotando, enfim, as mais variadas nomeações que os identificassem.

Muito além de mera designação, o sobrenome é um patrimônio da família, marca exclusiva que representa toda uma linhagem, nomeação que se estende por gerações e gerações, identificando características físicas e comportamentos semelhantes. Entretanto, a descendência não se limita ao plano genético, mas se desenvolve no campo histórico. Nesse sentido, a recomposição das linhagens, ilustrada por árvores genealógicas com nomes e datas, tão útil na esquematização das pesquisas, não se apresenta como registro muito esclarecedor.

A história de família, percorrendo os marcos dos sobrenomes, abrange necessariamente os cenários e as circunstâncias nos quais viveram os personagens, enfrentando seus desafios e assumindo suas venturas. A reconstrução histórica da formação familiar conduz, portanto, a interpretações capazes de estabelecer uma ponte entre o passado e o presente, entre os ancestrais e seus descendentes, revelando-se como a maior homenagem que se pode prestar aos antepassados.

A maior parte dos sobrenomes que circulam no Brasil é de origem portuguesa e chegou aqui com os colonizadores. A maioria tem origem geográfica. Ou seja: no local em que a pessoa nasceu ou em que morava.

Desta forma, Guilherme, nascido ou vindo da cidade portuguesa de Coimbra, passou a ser, como seus parentes, Guilherme Coimbra. Assim, também Varela, Aragão, Cardoso, Araújo, Abreu, Guimarães, Braga, Valadares, Barbosa e Lamas eram nomes de cidades ou regiões que identificavam os que lá nasceram, passando a funcionar, com o tempo, como sobrenomes.

Alguns desses sobrenomes, aliás, não se referem a localidades, mas a simples propriedades rurais onde um determinado tipo de plantação era privilegiado. Por exemplo, os moradores de numa quinta em que se cultivavam oliveiras passaram a ser conhecidos como Oliveira, o mesmo acontecendo com Pereira, Macieira e tantos outros. Outra origem de sobrenomes foram as alcunhas, ou apelidos, atribuídos a uma pessoa para identificá-la e que depois se incorporava a seu nome como se dele fizesse parte. É ocaso de Louro, Calvo e Severo, por exemplo. Muitos nomes de família se originaram também de nomes de animais, fosse por traços de semelhança física ou de características de temperamento: Lobo, Carneiro, Aranha, Leão e Canário são alguns deles.

Também por derivação foi possível formar sobrenomes. Fernandes, por exemplo, seria, na origem, o filho de Fernando; assim como Rodrigues, o filho de Rodrigo; Álvares, o de Álvaro.

Negros africanos, que vieram para o Brasil como escravos, e dos quais tantos de nós descendemos, foram obrigados a deixar para trás seu passado, seu nome e a identificação de sua origem tribal. Aqui foram batizados com um nome cristão e os sobrenomes que recebiam muitas vezes eram os mesmos de seus senhores. Quando isso não ocorria, os senhores lhes davam sobrenomes de origem religiosa, como Batista, de Jesus, do Espírito Santo.

Também o leigo "da Silva" (silva em latim é selva, o que significa que a pessoa assim denominada tinha origem imprecisa, não se sabia ao certo de que cidade ou região ela procedia) foi fartamente atribuído àqueles que não traziam consigo um nome de família. Não é, portanto, por acaso que Silva é hoje no Brasil o sobrenome mais comum, aquele usado pelo maior número de cidadãos, dentre os quais os atuais presidente e vice-presidente da República!

Situação semelhante ocorreu com os indígenas: como essa cultura sempre relacionou o sobrenome do indivíduo com a tribo à qual pertencia, é comum ainda hoje que um cidadão de origem indígena seja registrado, por exemplo, como Galdino Pataxó ou Marcos Terena.

Observar as variadas origens dos sobrenomes brasileiros nos leva a notar que muitos povos se uniram para formar a nossa nação. Aos numerosos Silvas, brasileiríssimos, aos Lisboas e Guimarães que aqui chegaram há quase cinco séculos, vieram com o tempo juntar-se os descendentes dos imigrantes Abdala (árabe), Levy (judaico), Calmon (francês), Abbott (inglês), Fomm (prussiano), Schmidt (alemão), Ferretti (italiano) e inúmeros outros que tanto contribuíram para a formação de nossa cultura, que é riquíssima.

Essa diversidade cultural, motivo de nosso orgulho, expressa pela variedade de sobrenomes, nos faz pensar também na nossa maravilhosa e surpreendente unidade linguística: um país do tamanho do Brasil, habitado por uma população de origem tão variada, como se pode verificar por uma simples análise dos sobrenomes, fala de norte a sul um único idioma.

Os Batistas e os Abramovitchs, os Lopes e os Smiths conversam, discutem, contam piadas e trocam juras de amor na mesma língua em que pronunciaram as primeiras palavras, em que aprenderam as primeiras letras na escola, em que cantaram músicas e ouviram notícias pelo rádio e pela televisão.

(Fontes: Sandro Ferrari - Ciência Hoje 02/07/2003)

 Sobrenome BOARETTO

Sobrenome de origem italiana, derivado de Boaro com o suf. sing. -etto [Ciro Mioranza, Dic. de Sobrenomes Italianos, vol. I].

O sobrenome italiano Boaretto foi classificado como tendo sua origem em um apelativo popular ligado a uma atividade profissional exercida pelo portador inicial, ou seja, ligado a um trabalho que este executava com a finalidade de suprir suas necessidades e de manter seus dependentes.

Depois do Concilio de Trento, com a exigência dos sobrenomes, muitos adotaram os de suas profissões, estas na época eram transmitidas de pai para filho, para fazer distinções entre indivíduos que tinham o mesmo prenome, mas outra profissão.

Esta também foi uma forma muito popular de se atribuir sobrenomes familiares pois facilmente se identificavam pessoas através de suas profissões, neste grupo se inserem muitos dos sobrenomes com grande índice de frequência, ou seja, largamente utilizados.

Nesta categoria de sobrenomes incluem-se todos os que recordam qualquer atividade exercida, inclusive cargos, funções, títulos de grau, de condição social, uma vez que, estes últimos, representem um oficio exercido na área civil, militar, religiosa e até mesmo familiar.

O termo Boaretto foi formado pela junção entre o substantivo Boaro e o sufixo diminutivo -etto.

Boaro vem do latim bovarius cujo significado seria “boiadeiro”, “criador e mercador de bois” ou “lavrador que se utilizava de bois na agricultura”.

Desta forma, em tempos remotos, alguém, cujo sustento estivesse ligado a uma ou mais destas atividades, ficou conhecido pela alcunha de “Il Boaretto” (forma diminutiva regional de Boaro), quando este Sr. foi pai, seu filho foi então conhecido como “Fulano Filius Boaretto”, o filho deste, ou melhor, neto do patriarca inicial simplesmente utilizou-se do temo após seu primeiro nome como forma de se identificar como membro desta família. O repasse do termo de geração em geração acabou por transforma-lo em um sobrenome familiar.

Os cognomes, apelidos, sobrenomes ou nomes de família já eram utilizados na antiguidade, dizem os especialistas que o primeiro povo conhecido a se utilizar de sobrenomes foram os chineses.

Entre as historias mais famosas distingue-se a do imperador Fushi que decretou o uso de sobrenomes (ou nomes de família) no ano 2850 a.C.

Os romanos possuíam um sistema próprio de distinguir uma pessoa de outra pelo nome e por outros apostos a ele, pela historia desse povo, julga-se que este sistema tenha surgido em épocas remotas e que já fosse de uso comum logo após o inicio da expansão do poderio de Roma, os romanos possuíam um sistema pelo qual identificavam no nome do indivíduo qual seu clã de origem, foi uma forma de se identificar um grupo familiar em especifico, porem, com a queda do Império Romano em 476 d.C. este sistema virtualmente deixou de existir, caindo em desuso.

Na idade média (476-1453) passou, pois, a vigorar tão somente o nome de batismo para designar, distinguir e caracterizar as pessoas. Fala-se em nome de batismo porque, na época da queda do Império Romano Ocidental, a península itálica já era praticamente toda cristã. Por outro lado, os povos invasores foram cristianizados em massa no período que se segue à desagregação do Império. O cristianismo se tornou um elemento aglutinador que aproximou todos estes povos.

O estabelecimento de vários povos estrangeiros introduziu uma grande variedade de nomes e palavras que paulatinamente foram sendo latinizadas, salienta-se que os povos estrangeiros não possuíam a tradição da sobrenominização das pessoas, fato este que influiu sistematicamente no abandono de tal costume.

O aporte de grande acervo de novos nomes, trazidos pelos povos invasores, principalmente germânicos, o abandono da sistemática latina de individualizar pessoas, a influencia do cristianismo que difundia os nomes de seus mártires e santos criaram uma confusão generalizada. Os nomes se repetiam com freqüência o que tornava difícil distinguir um indivíduo de outro.

Surgiu então a necessidade de se estabelecer uma modalidade para se distinguir um cidadão do outro, para tal finalidade foram criadas  algumas formulas que auxiliavam em tal distinção.

Na verdade, não foram estabelecidas normas baixadas pôr autoridades, mas  sim o surgimento de um modo espontâneo na pena do escrivão, no convívio social e na linguagem popular que inventava formas para distinguir os dez ou vinte Johannes (João) que viviam na mesma comunidade.

Os primeiros registros do uso de sobrenomes familiares como hoje os conhecemos foram encontrados por volta do século VIII, ou seja após o ano 701 d.C.

Na Inglaterra por exemplo, só passaram a ser usados depois de sua conquista pelos normandos, no ano de 1066. Foi só no inicio do renascimento que os cognomes voltaram a ter aceitação geral.

No ano de 1563, o Concílio de Trento concretizou a adoção de sobrenomes, ao estabelecer nas igrejas os registros batismais, que exigiam, além do nome de batismo, que teria de ser um nome cristão, de santo ou santa, um sobrenome, ou nome de família.

 

Agradecimento a Adilson Rinaldo Boaretto
Diploma dos Boarettos

 

Boaretto

Il cognome Boaretto può essere classificato fra quelli di origine professionale. Un termine cosi esteso viene usato per descrivere cognomi derivati dalla professione o dal mestiere del progenitore. I cognomi cosi detti professionali possono essere di origine agricola come nel caso di “Pastori”, oppure aver avuto origine da un mestiere, como “Fabri”, mentre nel caso di “Merciai”, è evidente l’origine da un venditore al dettaglio.

Nel caso del cognome Boaretto, la derivazione è dal termine “boaro” o “guradiano di buoi”, a cui è estato aggiunto il suffisso diminutivo “-etto”.

Percio il capostipite della famiglia era identificato dai membri della sua comunità come “il guardiano di buoi”. Varianti del cognome Boaretto includono Boaro, Boari, Boarelli, Boarino, Boarini e Boaretti.

Uno dei primi riferimenti a questo cognome o ad una sua variante, include la documentazione di um certo Tomaso Boarello, amico del Duca Carlo Emanuele I di Savoia, che gli concesse un blasone che il cognome sia stato documentato prima di quella data. Regina Boaretto, figlia di Sante e di Antonia Lain, nacque a Cartura (Padova) il 5 Novembre 1895. Personaggi famosi col cognome Boaretti includono il poeta, filosofo, matematico e fisico Francesco Boaretti che visse fra il 1748 ed il 1799. Questo cognome, nella forma Boari, fu introdotto negli Stati Uniti fino dal 1890, anno in cui troviamo la notizia dell’emigrazione di Pietro Boari, che salpò da le Havre a bordo della “Cascogne” e arrivò a New York il 6/16/1890.

Arma: D’azzurro, al bue passante d’oro, accompagnato in capo da ter stelle dello stesso.

Traduzione: L’azzurro denota Lealtà; L’oro indica Generosità.

Cimiero: Un’aquila spiegata di nero coronata d’oro.

Referenza: Dizionario Storico-Blasonico

Origine: Italia

 

Diploma também referido à família Boaretto