Família Boaretto

Estrangeiros e brasileiros naturalizados que falavam preferencialmente a língua-mãe (censo de 1940)

Nacionalidade

Falam preferencialmente a língua materna

Japoneses

84,71%

Alemães

57,72%

Russos

52,78%

Poloneses

47,75%

Austríacos

42,18%

Espanhóis

20,57%

Italianos

16,19%

O censo de 1940 analisou as línguas faladas pela população brasileira e a difusão dos falantes da "língua italiana" no Brasil (embora, na maior parte dos casos, tratava-se de falantes de dialetos). Esta pesquisa mostrou que, na década de 1940, a língua portuguesa já se impunha como o idioma dominante nos lares das famílias de origem italiana no Brasil. De acordo com esse censo, havia no país naquele ano 1.260.931 brasileiros nascidos de pai italiano. Destes, somente 115.596 declararam que não falavam o português habitualmente no lar, ou seja, apenas cerca de 10% dos filhos de pai italiano nascidos no Brasil não falavam o português em casa. Situação bem diferente foi verificada entre os alemães: dos 159.809 brasileiros nascidos de pai alemão, 79.088, ou seja, a metade declarou não falar o português no lar.

O censo de 1940 revelou que, embora a imigração alemã tenha sido bem menos numerosa que a italiana, o idioma alemão era mais falado no Brasil que o italiano. Naquele ano, 644.458 pessoas declararam que falavam o alemão em casa, contra 458.054 que falavam o italiano. O Rio Grande do Sul concentrava o maior número de falantes de "italiano" (sobretudo dialetos) no Brasil. Mas, mesmo lá, embora a presença de imigrantes italianos tenha sido mais numerosa e recente que a de alemães, os falantes de alemão eram mais numerosos. No censo de 1940, 393.934 pessoas do Rio Grande do Sul (11,86% da população do estado) declararam falar alemão como língua materna. Em comparação, 295.995 apontaram o italiano (8,91% da população local).

No censo de 1950, o número de gaúchos que declararam falar o italiano caiu para 190.376. No estado de São Paulo, que concentrava a maior população italiana do Brasil, no censo de 1940, apenas 28.910 italianos natos disseram falar o italiano em casa (somente 13,6% de toda a população italiana daquele estado).

Os dados mostram que, entre os imigrantes no Brasil, italianos e espanhóis foram aqueles que mais rapidamente adotaram o português como língua, e japoneses e alemães foram aqueles que mais resistiram. A assimilação linguística, então, variava consideravelmente de um grupo ou nacionalidade para outro, pesando a questão da identidade e da similaridade de idiomas. Ademais, tinha influência a força do ambiente (nas regiões onde os imigrantes ficaram reunidos em grupos isolados, a língua materna pode sobreviver por gerações, enquanto que nas regiões onde houve maior fusão entre os imigrantes e os brasileiros, a língua-mãe foi rapidamente suplantada pelo português).

Também segundo o censo de 1940, viviam no Brasil 285.124 pessoas nascidas na Itália. Porém, mesmo entre os próprios imigrantes o português já tinha uma hegemonia, pois somente 16% deles falavam preferencialmente o "italiano" (comparado a 84,1% dos imigrantes japoneses que preferiam utilizar a língua japonesa). A maioria dos falantes de "italiano" no Brasil não eram os imigrantes, mas brasileiros natos, descendentes de italianos de segunda e terceira geração, que preservaram os dialetos, concentrados nas colônias do Rio Grande do Sul.

Embora a comunidade italiana tenha se concentrado no estado de São Paulo, o uso dos dialetos italianos não vingou nesse estado. Isto porque, em São Paulo e em outros lugares do Brasil, havia o contato diário dos imigrantes com a população brasileira, formando redes de amizade, havendo interesses comuns e casamentos mistos. Nessas áreas a manutenção do falar italiano foi menos forte e durável.

Nas colônias, por outro lado, a resistência à assimilação linguística foi mais forte, uma vez que ali foi possível que certas nacionalidades ficassem isoladas ou relativamente independentes do resto da população, sendo a assimilação bem mais lenta e gradual, permitindo a manutenção do dialeto italiano por várias gerações. Assim, segundo o demógrafo Giorgio Mortara, com base no censo de 1940, o italiano era falado preferencialmente por 54,26% dos italianos natos que viviam no Rio Grande do Sul, mas apenas por 12,90% dos que viviam em São Paulo.

O censo de 1950 mostrou que, dos 458 mil falantes de italiano no Brasil, 64,62% viviam no Rio Grande do Sul, 20,87% em Santa Catarina e 9,99% em São Paulo, embora estivesse neste último estado a maior concentração demográfica de descendentes de italianos.

Os censos mais recentes não analisaram a questão dos idiomas falados no Brasil e os dados disponíveis são todos baseados em estimativas.