Família Boaretto

 

Imigração italiana para o Brasil (1876-1920)

Região de

Origem

Número de

Imigrantes

 

Região de

Origem

Número de

Imigrantes

Vêneto

365.710

Sicília

44.390

Campânia

166.080

Piemonte

40.336

Calábria

113.155

Puglia

34.833

Lombardia

105.973

Marche

25.074

Abruzzo-Molise

93.020

Lácio

15.982

Toscana

81.056

Úmbria

11.818

Emília-Romagna

59.877

Ligúria

9.328

Basilicata

52.888

Sardenha

6.113

Total : 1.243.633

 

A imigração italiana no Brasil ficou marcada por ter vindo, sobretudo, do Norte da Itália. A grande corrente migratória veio do Vêneto, no Nordeste italiano, região outrora com grandes problemas nas zonas rurais. Foi notória, porém, a presença de pessoas originárias do Centro e Sul da Itália, sobretudo no início do século XX, nas plantações de café paulistas.

Os italianos do Norte emigravam preferencialmente para outros países da Europa. O Brasil e a Argentina foram os únicos países fora da Europa que conseguiram atrair uma migração significativa oriunda do Norte da Itália. Os italianos do Sul, por sua vez, preferiam a imigração transoceânica, sendo os Estados Unidos o destino principal.

Os vênetos predominaram entre os imigrantes italianos no Brasil, enquanto os toscanos eram os mais numerosos dentre aqueles oriundos do Centro da Itália. Entre os do Sul, destacavam-se os campânios, seguidos dos calabreses e abruzenhos. De fato, o Brasil recebeu imigrantes de quase todas as regiões da Itália. Apenas quatro regiões não contribuíram com praticamente nenhuma imigração para o Brasil: Liguria, Úmbria, Lácio e Sardenha.

As regiões de origem dos imigrantes variaram no decorrer do tempo. Entre 1878 e 1886, praticamente somente chegaram vênetos e lombardos e meridionais ao Brasil. Entre 1887 e 1895 ficou nítida a predominância dos italianos do Norte. A partir de 1893-95 cresceu a participação dos italianos do Sul, que passaram a predominar a partir de 1898. O Brasil foi o destino principal da imigração transoceânica dos habitantes da Emilia-Romagna e da Toscana, entre os anos de 1887 e 1902. Também recebeu 80% da imigração transoceânica oriunda do Vêneto e Friul (mas apenas 20% da sua imigração global).

Os vênetos eram pequenos proprietários de terra na Itália e viam na imigração para o Brasil a possibilidade de se tornarem grandes fazendeiros. Os imigrantes do Sul da Itália, por sua vez, eram braccianti, gente muito pobre que trabalhava em terras alheias. Ademais, os vênetos são mais claros que a maioria dos italianos e, em contrapartida, os meridionais são mais morenos. O governo brasileiro incentivava a vinda de europeus para o Brasil, dentre outros motivos, para "branquear" a população brasileira.

Os italianos que foram para o Brasil podem ser classificados em três grupos distintos: os meridionais, os setentrionais e os pequenos proprietários vênetos. Os meridionais vieram sobretudo das regiões de Campânia e da Calábria, ao sul da Itália, e emigravam preferencialmente sem família. Privilegiavam as ocupações urbanas (o que não quer dizer que não tenham, também, se dedicado à agricultura). Os setentrionais provinham das regiões ao norte da Itália e eram os trabalhadores braçais sem terra que foram trabalhar ao lado dos escravos e ex-escravos nas plantações de café. Por fim, os proprietários vênetos foram aqueles encaminhados para os núcleos coloniais no interior do Brasil.

Na época da grande imigração, havia uma notável diferenciação interna entre o Norte e o Sul da Península Itálica. A Itália meridional continuava agrária, atrasada e miserável, contrastando com algumas regiões do Norte, que entravam num processo de desenvolvimento e industrialização. Tais diferenças econômicas contribuíram para a formação de estereótipos negativos em relação aos italianos do Sul, que eram vistos pelos do Norte como violentos, pouco civilizados e ignorantes. Esses conflitos internos foram trazidos pelos imigrantes para o Brasil, mas não se perpetuaram no tempo, pois os brasileiros enxergavam todos como sendo italianos, sem fazer essas diferenciações o que, com o tempo, contribuiu para enfraquecer esses sentimentos regionalistas.

Muitos fazendeiros brasileiros tinham uma inclinação em preferir contratar imigrantes do Norte da Itália, pois estes tinham fama de serem mais fáceis de lidar que os italianos do Sul, temidos por sua "agressividade". Somado a isso, os setentrionais emigravam com a intenção de adquirir terras e se tornarem pequenos agricultores, enquanto os meridionais tinham grande aversão em servir os fazendeiros, evitando ao máximo rumar para as zonas rurais. Mas as regiões de procedência dos imigrantes não dependiam somente dos desejos dos fazendeiros, pois as áreas de expulsão demográfica na Itália variaram no decorrer do tempo. Se, por um longo período, o Vêneto foi a região italiana que mais forneceu imigrantes para o Brasil, no final do século XIX já havia sido superado pela região de Campânia.